Projetos de Vida de jovens arcoenses

Projetos de Vida de jovens arcoenses

Projetos de Vida de jovens arcoenses

Eles falam da vida profissional e pessoal que desejam ter no futuro

Projeto de vida! Você tem o seu?

Desde 2017, algumas escolas já receberam a tarefa de auxiliar os estudantes nesse desafio, motivando-os a planejarem o futuro de maneira mais efetiva. A partir de 2022, a disciplina tornou-se obrigatória nas unidades de ensino.


“Em que área quero trabalhar? O que devo fazer para atingir meu objetivo? Quero casar e ter filhos? Seria interessante realizar um trabalho voluntário? Qual o meu papel na sociedade? – essas e outras reflexões relacionadas ao futuro estão ainda mais presentes no dia a dia dos estudantes, com a finalidade de conduzi-los na elaboração do seu projeto de vida.


A professora de Sociologia e Projeto de Vida na escola Berenice de Magalhães Pinto, Fabrícia Leão, sintetiza que a proposta é ter um diálogo maior com as ideias dos alunos.

Profa. Fabrícia Leão


Para desenvolvimento da disciplina, a escola utiliza um Guia de Práticas planejado por profissionais das áreas de psicologia e psicopedagogia. “É um material que vem dando um Norte para o professor; e a partir disso a gente desdobra. Trabalhamos muito a questão da estrutura familiar, a percepção que eles têm do mundo. Autoconhecimento é a chave essencial do projeto”, informa. A professora salienta que as reflexões são feitas também na questão na maternidade, da paternidade, o desejo ou não de casar, a sexualidade e como se posicionam no mundo. “Nós temos alunos transgêneros. Então, vamos abordar como eles lidam com isso na sociedade, se eles entendem o que significa realmente. Vai do íntimo ao mais social mesmo; do indivíduo até o papel do indivíduo na sociedade”, explica.

Prof. Gustavo Campos


No colégio Losango, Gustavo Campos é o professor de Projeto de Vida. É licenciado em Geografia, História e Sociologia e especialista em Educação Socioemocional. Nessa unidade de ensino, trabalham a disciplina com a plataforma SAS – Sistema Ari de Sá. “A disciplina consiste em construir com o estudante a reflexão sobre a sua parte no mundo, os seus planos e a sua própria constituição enquanto sujeito. Os adolescentes são motivados a serem os protagonistas de seus projetos e sonhos para o futuro. A disciplina também é direcionada ao desenvolvimento de competências socioemocionais dos alunos e está totalmente alinhada à BNCC (Base Nacional Comum Curricular)”, relata.

O CCO ouviu quatro estudantes. A pergunta foi: Qual é o seu projeto de vida?

Leia na sequência:

Ela planeja ser advogada e quer cuidar dos pais, da irmã e dos avós

Maria Fernanda Aparecida da Silva, 15 anos, cursa o 1º ano do Ensino Médio Integral da escola estadual “Berenice de Magalhães Pinto”. É filha de Patrícia Aparecida dos Santos Silva (dona de casa) e de Júlio César da Silva (serralheiro). A família mora no bairro Planalto.
Diante da pergunta, ela logo responde, demonstrando segurança: “Entrei aqui com visão para o futuro. Quero passar numa Federal e, futuramente, ser advogada”. Ao direcionarmos a pergunta para a vida pessoal, Maria Fernanda completa: “Quero ter uma capacidade financeira boa, uma casa boa e poder construir família”. Ela enfatiza que, por enquanto, não pensa em casamento e nem em filhos. Daqui 10 anos, se imagina cuidando da família: “Eles me deram a vida e eu tenho que dar a minha vida para eles; então, me imagino cuidando dos meus pais, da minha irmã, dos meus avós, cuidando da minha geração”.

“Planejo ser uma desenvolvedora de games e me mudar para o Canadá”

Isabela Loyola Teixeira, 17 anos, é filha de Francisco Fernando Teixeira (corretor de seguros e empresário) e Ana Maria Loyola Teixeira (dentista). Está no 3º ano do Ensino Médio (colégio Losango). A família mora no bairro Cidade Nova.
“Estou com alguns projetos, […] mas o meu projeto principal é entrar na Faculdade da PUC, da Praça da Liberdade (Belo Horizonte) e fazer jogos digitais. Planejo ser uma desenvolvedora de games e me mudar para o Canadá para me aperfeiçoar”. Isabela contou que já estuda programação e também se dedica especialmente em design/animação. Ao considerar que, geralmente, existe uma repercussão negativa sobre os videogames, a estudante analisa a importância deles na sociedade e afirma: “A gente pode ver que videogames também têm um impacto muito positivo; eles podem trazer mensagens muito boas”.
Sobre o projeto de vida pessoal: “Planejo, nos primeiros próximos anos da minha vida, focar realmente na parte dos estudos e quero muito poder viajar e conhecer pessoas. Gosto de ver o mundo de vários ângulos; quero conhecer pessoas de todos os lugares, de todas as religiões, até mesmo para a minha profissão, porque quero poder fazer jogos onde as pessoas possam se sentir representadas, possam se ver em um personagem que está ali”.

“Quero ser médico cardiologista nos Estados Unidos […], montar minha família e crescer espiritualmente, ficar mais perto de Deus”

Felipe Gabriel Costa, 16 anos, está cursando o 2º ano do Ensino Médio no Colégio Losango. É filho de Djalma de Oliveira Costa (gerente financeiro) e Lídia Aparecida Cunha Costa (comerciante). Eles moram no bairro Sion.
Felipe quer ser médico cardiologista nos Estados Unidos. “Sou evangélico e acredito que é um propósito que Deus tem na minha vida. Acho que a questão educacional nos Estados Unidos é melhor”. Para atingir seu objetivo, estuda a Língua Inglesa no CCAA, dedica-se a todas as disciplinas (principalmente da área de biomédica) e, constantemente, assiste a vídeos sobre Medicina.
Quanto ao projeto de vida pessoal: “Quero montar minha família e crescer espiritualmente, ficar mais perto de Deus”.

Professor de educação infantil e, depois, psicólogo

Gustavo Henrique dos Santos Ramos, 17 anos, é aluno do 2º ano do Ensino Médio Integral. É filho de Juliana dos Santos Ribeiro (empregada doméstica e manicure) e de Antônio Ramos Filho (mecânico autônomo). Moram no bairro Cruzeiro.
Articulado para conceder a entrevista, ele diz: “Olha… eu penso em fazer licenciatura para ser professor de crianças e depois fazer faculdade de Psicologia”. Quanto aos projetos que não estão relacionados à vida profissional, responde: “Eu ainda quero conhecer o mundo, sabe! Não pretendo me fixar agora, quero viajar bastante para depois pensar em ter uma casa. É meio contraditório, porque ao mesmo tempo que quero dar aulas, eu também quero viajar pelo mundo. E se um dia eu me fixar, estiver bem financeiramente e se eu for ter um filho, quero dar do bom e do melhor para ele; então eu tenho que me estabelecer bem, antes de pensar em querer ter uma família”. Ciente de que é sempre bom ter “Plano B”, ele disse, no dia da entrevista (1º de agosto), que iria começar o curso técnico de Enfermagem (noturno).
Gustavo enfatizou que se interessa pelo estudo da mente humana e como ela funciona. Gosta de assistir a documentários sobre Psicologia Analítica.

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