Túnel do Tempo (2011):  Moradora do bairro Jardim Bela Vista conta como era Arcos antes da emancipação

Túnel do Tempo (2011): Moradora do bairro Jardim Bela Vista conta como era Arcos antes da emancipação

Túnel do Tempo (2011)

Moradora do bairro Jardim Bela Vista conta como era Arcos antes da emancipação

Perpétua Rabelo (à direita) ao lado da filha caçula Maria Aparecida Rabelo

Perpétua Baía Rabelo tem 86 anos e muita história pra contar. A arcoense compartilha com o CCO experiências vividas, e lembra detalhes de Arcos antes mesmo da emancipação político-administrativa, que foi em 17 de dezembro de 1938, quando ela tinha 12 anos.


Ao relembrar dos tempos em que o rádio era uma das poucas distrações, e a poeira da estrada de chão era a único caminho a ser percorrido, ela se diz impressionada com o desenvolvimento da cidade.
Perpétua passou a infância e adolescência nas comunidades Paineiras e Vargem Grande. Ela lembra que na época era difícil ir até o pequeno povoado fazer compras; os moradores das comunidades rurais precisavam ir a pé, de madrugada. A mesma dificuldade era vivenciada pelos estudantes, já que a escola era próxima ao povoado e distante das fazendas. Segundo ela, os professores de outras cidades vinham para lecionar.


Foi na roça que ela aprendeu a fazer crochê sozinha e conheceu Eduardo Rabelo, com quem se casou. Emocionada, ela lembra que o marido foi o primeiro na região onde moravam a adquirir um pequeno rádio, que funcionava com uma manivela. “Todos os dias os vizinhos se reuniam em casa para ouvirmos “A hora do Brasil”, não tinha nada melhor”, conta. Outra opção de lazer na pequena comunidade era acender a fogueira e dançar forró. “A gente dançava forró e as crianças comiam pipoca”.


Perpétua ressalta que ao vir para Arcos, já casada e com quatro filhos, a cidade ainda era um pequeno povoado onde a maior dificuldade era a locomoção. Os meios de transportes eram carro de boi e havia um pequeno ônibus chamado carinhosamente de “Jardineira do Miro”. Ela conta que “Miro” foi um dos primeiros cidadãos a ter um veículo em Arcos, e que levava as pessoas ao médico, na cidade de Formiga.
A arcoense também menciona uma das primeiras mercearias do povoado, conhecida como “Loja do Português”. Ela comenta ainda sobre as procissões que aconteciam na Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo, que na época era pequena e se tornou maior e mais bonita ao longo dos anos.


Perpétua morou em uma casa onde atualmente é o edifício Oliveira Rezende, e trabalhou por anos como enfermeira na Santa Casa. Hoje, ela tem 20 netos e oito bisnetos. Mora no bairro Jardim Bela Vista e ressalta que pretende continuar morando em Arcos. Ela elogia o crescimento constante da cidade. “Já morei um ano em Divinópolis e acabei voltando pra Arcos. É aqui que gosto de morar”, conclui.

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