O valor de um sorriso

O valor de um sorriso

O valor de um sorriso

Dentista arcoense participa de trabalho voluntário na África

Diego Rodrigues, cirurgião-dentista

Você já observou que algumas pessoas não têm o hábito de sorrir, principalmente quando são fotografadas, ou “seguram o riso” enquanto escondem a boca com a mão?
Em alguns casos, o motivo é timidez ou constrangimento por terem falhas nos dentes. Transformar situações como essas é o que move a ONG “Por 1 Sorriso”.


O cirurgião-dentista arcoense Diego Rodrigues viveu uma das experiências mais incríveis de sua vida, como ele mesmo diz, quando esteve no leste africano, na capital do Quênia, Nairobi, comunidade de Kabiria, no período de 19 a 29 de maio


Ele contribuiu voluntariamente em uma edição do projeto de saúde bucal da ONG Por 1 Sorriso, que desta vez foi desenvolvido naquela comunidade africana.


A instituição que recebeu os voluntários é viabilizada por outro projeto social: o Hai África, que oferece educação humanizada; alimentação nutritiva; atenção à saúde; oportunidade de geração de renda para mulheres, por meio de artesanato; e apoio à economia local efetuando todas as compras na própria comunidade.


Para participar da iniciativa, Dr. Diego se submeteu a uma seleção com critérios rigorosos, motivo de comemoração para ele, uma vez que teve sua atuação na odontologia avaliada positivamente.
Junto ao grupo constituído por 18 dentistas de vários estados (sendo apenas quatro de Minas), um estudante de odontologia, um nutricionista e cinco pessoas para apoio, foram prestar assistência às crianças e aos seus pais ou responsáveis.

Alimentação à base de arroz, feijão, ovo e abacate


Os voluntários ficaram hospedados nas proximidades da instituição onde realizaram os atendimentos e fizeram as refeições. Eles se alimentaram durante todo esse período com o mesmo cardápio servido às crianças e aos colaboradores da unidade: arroz, feijão, ovo, abacate, chapatti, ugali, mandazi, saramosa (comidas típicas quenianas).


O arcoense, que aprecia um bom bife, surpreendeu-se positivamente com as iguarias vegetarianas, principalmente por não se tratar de alimentos industrializados, o que possibilita o realce do sabor natural. “É realmente muito saboroso e nutritivo”. Ele explicou que as condições sanitárias da região desestimularam o consumo de carne, devido aos riscos de contaminação.


Dr. Diego também se surpreendeu com a saúde bucal das crianças que já haviam sido beneficiadas com o projeto há 2 anos atrás e estavam retornando para manutenção. Comentou que esse é o resultado de um trabalho bem planejado e executado, uma vez que as crianças e também os adultos receberam orientações sobre educação bucal e colocaram em prática, o que reduziu significativamente o número de cáries no segundo ano de atendimento.


Já as crianças que foram atendidas pela primeira vez, essas sim, precisaram de intervenções. Nesta edição do projeto, foram aproximadamente 1200 procedimentos realizados.


Outro motivo de satisfação foi observar que, graças ao projeto, as crianças da localidade não são desnutridas. Têm aparência saudável.

Saúde integral


Mais do que atendimento odontológico, os responsáveis pelo projeto e os voluntários estão sempre atentos a outras necessidades dos assistidos.


Dr. Diego citou, exemplificando, o caso de um menino que estava constrangido ao ser fotografado, devido a uma dermatite (uma inflamação na pele). O garoto recebeu atendimento na área de dermatologia também, por meio de vídeo chamada com um médico parceiro da ONG Por1sorriso; e já recebeu os devidos cuidados e medicamentos. O projeto Hai África tem a missão de prestar assistência de maneira integral no que se refere à saúde e educação humanizada.

Afeto


O voluntário afirmou ao CCO que mais do que uma oportunidade de troca de experiências com profissionais de grande competência nas mais diversas áreas da odontologia, o melhor foi a convivência com os africanos, principalmente as crianças. Ele disse que foram dias de felicidade e reflexão. “As crianças nos abraçam por nada… sem esperarem nada em troca… e querem tirar fotos”.
A poligamia é reconhecida nos tribunais do Quênia e as famílias são numerosas. Existe um grande número de crianças na região. Dr. Diego percebeu que um dos aspectos da cultura local, conforme foi relatado a ele, é que ter muitos filhos demonstra a virilidade do homem. Nas ruas, viu que os filhos maiores cuidam dos menores.

Reflexão


Durante a missão, o dentista arcoense, que já realizou outros trabalhos voluntários, percebeu, mais uma vez, que os voluntários acabam se beneficiando mais do que os assistidos. Ele disse que os africanos o ajudaram infinitamente mais, simplesmente com seus sorrisos e gestos de amor gratuito. “Foi também uma oportunidade de refletir sobre tudo o que temos no Brasil e tudo que falta para eles”, acrescentou.
. Foram vários momentos de emoção. Ele cita um em especial, quando, no intervalo de seus atendimentos, olhou de longe uma professora e os pequenos alunos em uma sala de aula. “Tive sentimentos de esperança e felicidade ao imaginar que aquelas crianças terão um futuro diferente dos seus pais. Naquele momento eu constatei o que minha mãe, que é educadora, sempre falou: ‘A educação tem o poder de transformar vidas’ “, concluiu, convidando a todos para se informarem e contribuírem com os dois projetos: Hai África e Por1sorriso, que são divulgados nas redes sociais.


Dr. Diego é filho de Marlene Rodrigues e Belchior Félix. Atende em uma clínica localizada na avenida Magalhães Pinto, em Arcos.

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