A Fantástica Noite na Taverna

A Fantástica Noite na Taverna

Mística Literária

A Fantástica Noite na Taverna

Na sequência dos artigos, mais um extraordinário autor brasileiro: ÁLVARES DE AZEVEDO. Quem foi esse escritor tão incomum?

Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1831-1852), escritor e poeta romântico, foi em tudo coerente com a arrebatada opção estética (o romantismo) que fez: genial, culto, precoce, construiu uma obra pequena, porém clássica, dentro da língua portuguesa e morreu de tuberculose aos 21 anos incompletos”. (AZEVEDO, 2020).

O que mais impressiona é que, mesmo com pouca idade e experiência, esse escritor paulista conseguiu produzir uma obra fantástica como Noite na Taverna que foi publicada somente postumamente, no ano de 1855. Essa obra, pauta do presente artigo, conta com 7 contos fantásticos, quais sejam:

 I – Uma noite do século: é o ponto de partida dos demais contos, narra o encontro dos personagens principais (Solfieri, Bertram, Gennaro, Claudius Hermann e Johann) que compartilham suas histórias mais sombrias em uma taverna regada com muito vinho e cachimbos.

 II – Solfieri: narra um episódio que envolve necrofilia. O personagem fica fixado pela imagem de uma mulher que vira apenas uma vez em Roma e depois de um ano a reencontra dentro de um caixão. Após o reencontro bizarro ele descobre algo que faz ele levar o corpo dali…

III – Bertram: esse personagem retrata seu louco amor por uma mulher chamada Ângela, sendo que esta trai o marido e comete um crime horrendo para demonstrar seu “amor” por ele. Posteriormente, conta uma tragédia que envolve uma mulher que ele desonrou. Na sequência, ele narra um episódio chocante de antropofagia quando estava à deriva no mar com outras pessoas.

 IV – Gennaro: relata um amor proibido pela mulher de seu mestre em pintura e a relação íntima com a única filha dele que se finda em várias tragédias.  

V – Claudius Hermann: o personagem fica obcecado pela duquesa Eleonora, frequentando todos os lugares que ela estava e até mesmo invadindo seu palácio. Até mesmo ultrapassou todos os limites do bom senso quando cometeu uma atrocidade para tê-la consigo.  

Nesse conto, existe uma definição de poesia que merece ser exposta:

A poesia, eu t’o direi também por minha vez, é o voo das aves da manhã no banho morno das nuvens vermelhas da madrugada, é o cervo que se rola no orvalho da montanha relvosa, que se esquece da morte de amanhã, da agonia de ontem em seu leito de flores!” (AZEVEDO, 2020, p. 59).

VI – Johann: após vencer um duelo, o personagem enfrenta penalidades terríveis como incesto e fratricídio.

 VII – Último beijo de amor: o último conto traz um final surpreendente que tem relação com o penúltimo conto (Johann), tratando de vingança e da morte de dois amantes.

Nota-se que é uma obra com temas sombrios como morte, necrofilia, antropofagia, traição, obsessão, loucura, incesto, filicídio, fratricídio, assassinatos. Também carrega traços poéticos marcantes. É um livro fantástico que conseguiu reunir o gótico com o poético na formação de contos entrelaçados.

Referência: AZEVEDO, Manuel Antônio Álvares de. Noite na Taverna. Porto Alegre: L&PM, 2020.

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