Automedicação: uma opção nada recomendável

Automedicação: uma opção nada recomendável

Automedicação: uma opção nada recomendável

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A automedicação já se tornou hábito no Brasil. Segundo os dados do Conselho Federal de Medicina, 77% dos brasileiros fazem uso de remédios, sem qualquer orientação médica. Assim, se pode afirmar que a automedicação é quase uma rotina do brasileiro: “dor de cabeça? Tome tal comprimido”: assim anuncia uma famosa marca e, é exatamente aí que está um dos grandes responsáveis pela automedicação no Brasil: os anúncios que estimulam a compra de medicamentos. Essa é a opinião do Dr. Luis Fernando Correia e Silva, médico responsável técnico da Santa Casa de Arcos. Na avaliação do médico: “Há uma inversão. Na propaganda do remédio, somente ao final menciona a frase Se persistirem os sintomas procurem um médico, enquanto a lógica correta é procurar um médico e ele prescreverá a medicação adequada ao caso”.


A responsável técnica da Farmácia da Santa Casa de Arcos, a farmacêutica Luciara Fátima da Silva Campos, começa esclarecendo: “automedicação é um termo usado quando a pessoa toma algum medicamento por indicação de terceiros ou por conta própria, com o intuito de resolver algum problema, desconforto ou dor que esteja sentindo”. Mas, destaca que esse procedimento pode “ocasionar, desde reações leves até trazer graves consequências para a saúde”. Outro fator que explica a automedicação, é que, segundo Luciara, “vivemos num país com um sistema de saúde deficitário e a população numa situação financeira crítica: esses dois fatores dificultam o acesso da população à saúde”. Sobre isso, o médico também destaca: “a dificuldade do acesso da população ao médico é um dos fatores que contribuem para que as pessoas recorram à automedicação. Mas, este assunto envolve outros fatores além do uso de remédios”.

Luciara Fátima da Silva Campos, farmacêutica RT da Santa Casa de Arcos


Outro problema, segundo ele, é que pessoas confiam em “não médicos”. Segundo ele, “erroneamente farmacêuticos e atendentes indicam, ao mesmo tempo em que vendem remédios”. A farmacêutica Luciara confirma essa situação, ao mesmo tempo em que esclarece “é necessário dizer que o farmacêutico que se graduou num curso superior e tem seu registro junto ao Conselho Regional de Farmácia de seu Estado, deve aviar a receita do médico que atendeu o paciente, prestar todos os esclarecimentos básicos e solucionar eventuais dúvidas quanto ao medicamento e seu uso adequado ao tratamento recomendado pelo médico responsável. Este é o procedimento correto e ético dos profissionais de Farmácia”.

Automedicação pode causar graves problemas
Segundo cálculos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), 18% das mortes por envenenamento no país podem ser resultado da automedicação e 23% dos casos de intoxicação infantil apontam como causa a ingestão acidental de remédios guardados de forma incorreta.
“Todo o remédio possui efeitos colaterais e, quando ingerido sem orientação médica, pode causar mais malefícios do que benefícios ao organismo humano.” – afirma Luciara e conforme o Dr. Luiz Fernando, “a esmagadora maioria dos medicamentos que temos à disposição e que podem causar severos danos à saúde, não têm antídoto.” – explica e alerta que, uma vez ingerido, não há como retirá-lo do organismo ou anular sua ação. “Muitas vezes, até que as substâncias sejam eliminadas pelo organismo, os males já foram causados de forma irreverssível”. A farmacêutica enfoca na questão das interações medicamentosas: “há medicamentos que, combinados, podem até causar a morte em segundos”. Ambos mencionaram que as doses, na medida adequada a cada caso, são chamadas de doses terapêuticas: aquelas necessárias ao tratamento recomendado. “Uma pequeníssima quantidade além da dose terapêutica, pode causar problemas irreversíveis ao paciente.” – diz Luciara.

Dr. Luis Fernando Correia e Silva, médico RT da Santa Casa de Arcos

Automedicação prejudica a ação do médico
Dentre tantos problemas resultantes do uso do remédio sem orientação médica é que, ao chegar para o atendimento, a situação do paciente foi “mascarada” pela automedicação. Por exemplo, um remédio pode “acobertar” a febre que é um sintoma importante a ser considerado para chegar a um diagnóstico. “O paciente chega pra mim sem a febre e dificulta o diagnóstico” – exemplifica o Dr. Luis Fernando.
Ambos os profissionais concordam que o assunto é bem mais amplo e concluem que é importante que as pessoas reflitam, antes de fazer uso de remédios sem orientação médica.

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