Proprietário cerca seu terreno e usuários de nascente reclamam

Proprietário cerca seu terreno e usuários de nascente reclamam

Proprietário cerca seu terreno e

usuários de nascente reclamam

Foto: Tarcísio Nunes

Diariamente, moradores de vários bairros de Arcos, principalmente Bom Retiro e Sol Nascente, buscavam água em uma nascente localizada em um terreno no final da rua Bom Pastor do bairro Bom Retiro.
Na quinta-feira (28.04), o CCO foi informado que, há aproximadamente 10 dias, o local foi cercado por ordem do proprietário do imóvel e, diante disso, os moradores buscavam uma solução.
Quando a redação do CCO chegou ao local, na sexta-feira, 29, parte da cerca de arame farpado estava cortada, de modo que a abertura tornava possível a entrada no terreno. Uma das pessoas que entrou, agiu naturalmente, como faz desde criança; bebeu um pouco e depois encheu suas duas garrafas. Disse que os moradores da região buscam água lá há mais de 80 anos. Ela, que se chama Maria Silva, tem 68 anos. Também contou que quando a casa da mãe dela foi construída, ela e outras pessoas desciam da rua São Luiz até o local para buscar água para a obra. “A gente enchia os tambores e levava para os pedreiros trabalharem”. Maria disse ao CCO que viu quando a cerca foi colocada. “Falei para o homem que não podia cercar, porque a gente precisa da água” – lembrou.


Outra senhora que não se identificou disse que pessoas com problemas nos rins e que não se adaptam à água tratada pela Copasa também utilizam dessa fonte.


Sebastião Lopes Nascimento, 70 anos, contou que buscava a água há 30 anos e que, quando não há abastecimento na cidade, pela Copasa, geralmente em períodos de seca, aumenta o número de pessoas que vão ao local.

Água imprópria para consumo


A redação do CCO entrou em contato com o proprietário do terreno, Wirlei Alves. Ele nos disse que cercou o terreno, em primeiro, por uma questão jurídica. “É nossa propriedade e queremos protegê-la. É um direito a ser preservado e foi esta a orientação jurídica que recebemos.” – afirmou Wirlei e continuou dizendo que há três requisitos básico a serem considerados. O primeiro: o cercamento é devido à segurança do terreno e dos vizinhos, especialmente considerando que fomos informados que pessoas estacionam automóveis, com volume do som alto, alé de sujarem o local. Segundo: em relação à agua, nós vamos canalizá-la, levando-a até o passeio, “pois nossa inteção não é tirar água de ninguém, queremos impedir a entrada de pessoas dentro do terreno”, mas, alertou que se trata de água imprópria para o consumo, comprovado em laudo. Complementou, destacando que a 100 metros do local há uma mina de água analisada mensalmente, com água própria para o consumo. Disse ainda: “não dá pra entender porque, se a 100 metros há água própria para o consumo, as pessoas insistem em coletar aquela que é imprópria. Ele, acredita há falta de conhecimento, não sabendo que a água é imprópria. “Não queremos retirar água de ninguém. Mas, também não queremos que invadam nosso terreno.” – destacou.


Wirlei enviou laudos, em formulários da COPASA e datados respectivamente dos dias 14 e 21 de agosto de 2017, registrando, de fato a existência de coliformes totais na água coletada daquela nascente. Em ambos os laudos, há dois pontos de coleta (1) Rua Moacir Dias de Carvalho (sem número) e (2) Rua Bom Pastor (sem número). Ao verificar a coleta da rua Bom Pastor, verifica-se a contagem de que no dia 14/08/2017, a contagem de 1.553 para coliformes totais e zero para e.coli. No dia 21/08/2017, para o ponto da rua Bom Pastor, a contagem cai para 86 o número para coliformes totais. O proprietário também informa que já solicitou à Prefeitura e aguarda laudos mais recentes.


O proprietário do terreno reforçou: “Queremos proteger e preservar nossa propriedade. É direito nosso. Mas, não é nossa intenção tirar a água das pessoas. Pretendemos canalizar a água até a rua, fora do terreno. Daí, mesmo sendo imprópria, as pessoas terá acesso. Consumi-la ou não será um decisão pessoal.”


A notícia de canalização da água pelo proprietário certamente, atenderá àqueles que alegam necessitar da água. No entanto, é recomendável que as pessoas interessadas confirmem a condição de potabilidade, caso contrário, ao solucionar uma necessidade estarão gerando outra bem mais grave com danos à sua saúde.

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