Hoje é Dia Internacional da Felicidade (20 de março)

Hoje é Dia Internacional da Felicidade (20 de março)

Vale tudo para ser feliz?

Conheça alguns caminhos

Nosso entrevistado, Professor de Filosofia e Sociologia Halph Carvalho

A Felicidade! Há quem diga que todos os atos dos seres humanos, direta ou indiretamente, têm um propósito primordial: a busca pela felicidade.

Vamos citar um exemplo: o ato de acordar bem cedo para trabalhar pode não ser prazeroso, mas sabemos que ficaremos felizes com a remuneração no final do mês, para pagarmos contas e investirmos em nossos “sonhos” – nos projetos que, conforme acreditamos, nos deixarão felizes.

De fato, todos nós buscamos a felicidade. Ou você conhece alguém que deseja ser triste e se empenha para atingir esse objetivo?

Nos primeiros meses de pandemia, em 2020, o isolamento social deixou muitas pessoas visivelmente abaladas, inicialmente em virtude das restrições e, pouco tempo depois, nos contextos de luto. Muitos de nós já não enxergávamos motivações para sorrisos largos, mesmo que tantos outros motivos para sorrir nunca tenham deixado de existir.

No momento atual, março de 2022, aos poucos, tudo está voltando à normalidade.  É hora de “voltar a ser feliz”! Mas, também, depois de tantas perdas, é uma fase oportuna para reflexões. Vale tudo para ser feliz? Vale se embriagar nas baladas e nos bares e destruir sua imagem e sua saúde? Vale fazer a viagem dos sonhos e ficar devendo os outros? Vale trair o marido ou a esposa para “viver intensamente”? Enfim, quais são os limites dessa tal felicidade? Muitos dizem: “Ah…., mas o importante é ser feliz”!

Será? Até que ponto? 

Para o filósofo grego Aristóteles, que nasceu no ano 384 antes de Cristo, a ética é uma das maneiras de conquistar a felicidade. A palavra Ética tem origem no grego ethos, que significa “caráter”, “costume” ou “modo de ser” (Dicionário Etimológico).

Para abordar o tema Felicidade, mas sem se ater exclusivamente à visão pós-moderna, que nem sempre considera a Ética e o altruísmo, o CCO entrevistou o professor de Filosofia e Sociologia Halph Carvalho, que também é jornalista. Leia na sequência:

Professor Halph, o que é preciso para ser feliz, segundo a filosofia?

“Na visão do Epicurismo, doutrina filosófica criada pelo filósofo grego Epicuro (341-271 a.C.), a felicidade consiste em assegurar-se com o máximo de prazer e o mínimo de dores, por meio da saúde do corpo e do espírito. No entanto, apesar de falar tanto nos prazeres, os epicuristas pregavam a ideia de um prazer moderado, ou seja, eles acreditavam que a felicidade estava no equilíbrio. Por isso, para atingir a mediana de nossas vidas, o autoconhecimento é fundamental, ou seja, a felicidade está na harmonia consigo mesmo”.

Como devemos agir para conquistar a felicidade, sem sermos egoístas?

“Na visão filosófica, o prazer espiritual sempre vai sobrepor ao prazer físico. E quando falo em prazer espiritual, não estou falando somente de religião, mas de alimentar o seu espírito com boas práticas, como é o caso da caridade, da renúncia de alguma coisa e principalmente da relação com Deus. A plenitude do Espírito está em satisfazer aquilo que é próprio do Espírito, ou seja, cultivar o amor, a bondade, o perdão, a resignação, a humildade, dentre outras. Por isso, mesmo em uma vida de privações dos prazeres deste mundo, é possível, sim, ser feliz. Mas é importante sempre ressaltar que o equilíbrio é o caminho perfeito”.

“Pílulas da Felicidade”

Um cenário comum atualmente, mas que também era comum em outras gerações, é de adolescentes e jovens que se sentem ansiosos e entristecidos por não descobrirem suas vocações e não atingirem seus objetivos profissionais (e materiais) no período de tempo que eles mesmos estipulam.

Se, no passado, essa situação geralmente se resolvia a partir do momento em que aproveitavam as oportunidades de trabalho que surgiam e também se dedicavam aos estudos para alcançarem novas metas, na atualidade, nem sempre é assim. Muitas vezes, ficam inertes diante das oportunidades. Ociosos, a tendência é que a tristeza aumente.

É nesse contexto que acabam sendo levados – pelos pais ou responsáveis – aos consultórios de psiquiatras. Ali, se diagnosticados com depressão, por exemplo, passarão a tomar medicamentos controlados, inclusive as famosas “pílulas da felicidade”, medicamentos prescritos por psiquiatras para aliviar as tristezas, entre outros fatores, mas que, em certos casos, podem ter efeitos colaterais e causar dependência.

Leia a opinião do professor Halph Carvalho sobre essa abordagem:

“O tratamento farmacológico é importante e eficaz, mas ele trata apenas as consequências dos nossos problemas. É importante que as pessoas descubram as principais causas das suas questões internas e para isso existem diversos tipos de terapias. Parece que todos estão ansiosos e estressados, mas a causa de tudo isso é o desconhecimento de si mesmo, daquilo que lhe é mais importante, ou seja, daquilo que compreende ser verdadeiro Ser. Todos querem o sucesso, o poder, o dinheiro, a fama e não percebem o alto preço que pagam por levar uma vida de mentira, hipocrisia ou comparações. A vida não é só sucesso. Não se ganha o tempo todo e todos são ensinados e treinados apenas para vencer, vencer, luxo, liderança, essas coisas. Tudo isso humilha o Eu interior que acaba oprimido e doente”.

No contexto social, isso é preocupante? Estaria sendo formada uma geração de “zumbis” ou de fracos?

“A fraqueza e a insegurança das pessoas, de modo especial da juventude, está justamente em não conhecer a si mesmo. Quando os pais oferecem superproteção, a criança não cresce por suas próprias competências, afinal, ela nunca fez nada sozinha, ela teve poucos ‘Nãos’, por isso não aprendeu os caminhos da superação. Quando chegam à vida adulta e deparam com os desafios, com os diversos ‘Nãos’ da sociedade, elas se entristecem, ficam deprimidas, afinal, achavam que o sucesso as esperava na vida adulta, como fora lhe prometido na escola e na faculdade. Dessa forma, é importante ressaltar que a felicidade está dentro de cada um de nós, basta fazermos esse exercício de autoconhecimento, o qual não é fácil de fazer, tendo em vista que vivemos numa sociedade de ‘faz de conta’, aparências e representação”, conclui nosso entrevistado.

“Em tudo o que fiz, mostrei-lhes que mediante trabalho árduo devemos ajudar os fracos, lembrando as palavras do próprio Senhor Jesus, que disse: ‘Há maior felicidade em dar do que em receber’ ” (Atos 20:35)

Entrevista e Redação: Jornalista Rita Miranda (Jornal CCO).

Comportamento Destaque