É preciso fazer pausas durante o uso da rede social, orienta psicóloga

O tempo de uso da tecnologia é cada vez mais crescente, não somente para “diversão” nas redes sociais como também por necessidade. Com os famosos home offices, a utilização do celular é essencial para se comunicar, trabalhar e estudar. Apesar disso, o costume de estar o tempo todo com o aparelho telefônico não é adequado.

A pausa é extremamente importante e pode ajudar a fazer um bom uso das redes sociais, sem interferir na saúde mental. Em entrevista ao Jornal CCO, a psicóloga Joana Paula Oliveira falou sobre a importância da utilização apropriada das redes.

“Fazer pausas é muito importante pra quem trabalha de home office, quem está o tempo todo aí com a tecnologia, de frente pro computador e pro celular. Ficar um pouco mais com os filhos, incentivar os meninos também em casa a fazerem essas pausas, para fazerem um exercício físico, um lanche, sair um pouco”, orienta a psicóloga.

Ela também alerta sobre a importância de manter a rotina, o horário para dormir, horário para acordar. “Isso já vai contribuir muito, porque a gente sabe que o uso das redes sociais com vídeos curtos e chamativos é programado pra viciar, né! Isso libera dopamina no nosso corpo, que é uma substância responsável justamente por esse hábito; e quando vira hábito, fica muito difícil de estarmos tomando consciência”, acrescenta a psicóloga.

 

Desconectar não é fácil para os jovens

É da natureza humana querer estar integrado a algum grupo, principalmente na adolescência. Optar pelo mesmo corte de cabelo do outro e usar roupas e sapatos no mesmo estilo são alguns dos costumes que evidenciam essa necessidade de ser “acolhido” em determinado meio. É assim na vida real e também na rede social, que se tornou o “ponto de encontro” de pessoas de todas as idades.

Quando os pais percebem o excesso de tempo que os pequenos ficam na rede e os prejuízos na educação, geralmente ficam assustados e querem proibir definitivamente. Dra. Joana Paula explica que essa atitude pode não ser a mais indicada.  “Às vezes, tem pai e mãe que tiram o celular do filho porque ficam apavorados com essa questão do uso abusivo da rede social; e no desespero, tiram o celular de uma vez, o que gera uma ansiedade muito grande, porque eles ficam perdidos; e não acho muito interessante, porque realmente eles se sentem sem chão”, alerta.

Segunda a psicóloga, é necessário que haja prudência. “O bom é sempre um equilíbrio, uma vez que não dá para desconectá-los totalmente, pois vão se sentir ‘fora do contexto’ ”.

 

Saiba como proteger seus filhos

A psicóloga explica que muitos jovens não se sentem seguros com a própria aparência; e com o surgimento do bullying virtual, eles começaram a se sentir cada vez mais vulneráveis. “Porém, é desumano acordar ‘perfeito’ como é mostrado na rede social; e por mais cedo que acordamos, pode ter alguém que já fez sua caminhada, seu shot matinal; e isso mexe muito com alguns jovens”.

Diante desses fatos, a psicóloga orienta que se deve incentivar os jovens a buscarem neles mesmos a segurança que buscam nas redes, o que não é tão simples assim, porque eles passam por muitas transformações físicas, hormonais e emocionais. Então, uma alternativa é motivá-los a buscarem essa segurança no ambiente familiar e junto às pessoas que realmente são apoio para eles, para não ficarem “presos em redes sociais”.

A psicóloga comenta sobre a necessidade dos pais e responsáveis estarem sempre atentos aos adolescentes, principalmente nesta fase de pandemia. “Observem seus filhos, se eles estão mudando de comportamento, se eles estão ficando mais irritados, principalmente em época de pandemia, porque estão ficando mais tempo ainda no celular, no computador e nos joguinhos”. Ela alerta que, nesse contexto, pode estar acontecendo bullying, daí a importância de observar se os adolescentes estão mudando o comportamento; eles podem estar sofrendo ou praticando bullying. 

Dra. Joana Paula ressalta que é importante saber conversar com eles. Palavras ofensivas não devem ser usadas. “Cabe aos pais observarem seus filhos dentro de casa, se eles estão ficando mais distantes, se eles estão mudando a rotina deles; e tentar se comunicar mais, não de forma a bater de frente com os filhos ou de forma agressiva para tentar tirar a qualquer custo a tecnologia deles. É necessário observar, observar e observar mais ainda, tentando entrar no mundo deles para depois trazê-los para o mundo de vocês”, conclui.

 

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