Como é maquiar uma pessoa sem vida?

Como é maquiar uma pessoa sem vida?

Para saber quais são as etapas para a maquiagem em falecidos, o Jornal CCO entrou em contato com Alan Ribeiro Silva, de 22 anos, que trabalha na Funerária Aliança, situada na cidade de Formiga-MG. O profissional disse que o responsável pelo preparo do corpo para ser velado é chamado de agente funerário; já o encarregado de manter a estética do cadáver é nomeado de necromaquiador.

Alan Silva atua nas duas áreas e disse que o interesse pela profissão o acompanha desde os seus 7 anos de idade. “Apesar de ter outras formações, ser um agente funerário já está em meu ‘DNA’”, expressa. Ele ainda brinca que não sabe se escolheu ser um agente funerário ou se já nasceu com essa vontade.

O necromaquiador relatou que o início da carreia foi bem difícil, devido à rotina árdua do serviço e o fato de se deparar com inúmeras situações diferentes. Ele afirma que nunca sentiu medo ao realizar o trabalho.

Decidiu seguir essa profissão a partir de contextos nos quais se deparava com situações extremas, com necessidade de um processo de necromaquiagem. Para ele, atuar nessa área é um dom que Deus lhe deu, apesar dos tabus e preconceitos em torno da profissão. “Para mim, trabalhar nessa profissão é um orgulho que tenho, pois enquanto os médicos salvam as vidas, nós salvamos as memórias”, comenta, acrescentando a importância da função do agente funerário.

Segundo Alan, um dos principais papéis no processo de necromaquigem é tentar resgatar ao máximo as expressões corporais, priorizando a região facial, de como o falecido era em vida, para que seus familiares tenham uma boa recordação no momento luto. Existem cursos profissionalizantes de necromaquiagem, mas o principal para exercer a profissão é ter uma identificação nas áreas de ciências mortuárias.

 

Preparação do Corpo

As etapas para o preparo de um corpo partem da identificação do óbito, para que possam realizar um trabalho de forma que haja um velório seguro para os entes queridos. De modo geral, o processo é fazer a tanatopraxia que consiste em conservar o corpo e mantê-lo o mais ‘saudável’ possível na hora do velório. Também é feito o tamponamento, limpeza corporal, vestimentas e, por fim, todo processo de ornamentação.

Além do formol, Alan contou que são utilizados silicones para ajudar a fechar todas as cavidades junto com os algodões, evitando secreções. Também pode ser necessária a utilização de fluidos, cada um responsável por certo tipo de situação, como por exemplo, tratar alguma bactéria específica diagnosticada no falecimento e trazer a tonalidade corporal o mais ‘real’ possível.

O profissional já maquiou vítimas de mortes violentas e descreveu que na reconstrução facial ou corporal, dependendo de como está o corpo, utilizam de várias técnicas para trazer a forma de como a vítima era em vida.

Nesse processo, são usadas instrumentações cirúrgicas como pinças, agulhas, tesouras, faixas e colas. Com os equipamentos e ferramentas em mãos, dá-se início a todo processo de reconstrução, baseando, às vezes, em uma fotografia ou analisando o lado menos afetado.

Um fato bastante curioso que marcou Alan Silva foi o desaparecimento de um homem, ainda jovem. Sentindo sua falta, a família foi procurá-lo. Chegando em casa, um de seus familiares, ao abrir a geladeira, se deparou com o corpo dentro desse eletrodoméstico. Segundo Alan, provavelmente, sobre efeito de entorpecentes químicos, foi acometido por um processo forte de alucinação, fazendo com que terminasse com esse desfecho. Isso aconteceu neste ano.

 

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