Você sabe o que é Estelionato Sentimental?

(Artigo publicdo pelo Jornal CCO impresso em 14 de agosto de 2021) Edição 2115

Na edição 2113 do Jornal CCO, em observância aos 15 anos de vigência da Lei Maria da Penha, aproveitei o espaço que aqui me é concedido para tratar sobre o novo crime de Violência Psicológica contra a mulher que entrou em vigor no dia 28/07/2021.

Ainda amparado por esse assunto, na coluna de hoje pretendo falar um pouco sobre uma modalidade de estelionato conhecida como “Estelionato Sentimental” e que também pode ser considerada como uma forma de abusividade dentro de um relacionamento.

O “Estelionato Sentimental” ocorre quando uma das pessoas envolvidas em um relacionamento afetivo, abusa da confiança que foi adquirida até então, buscando obter vantagens econômico-financeiras para si, às custas do outro.

Na realidade a vítima do “Estelionato Sentimental” é enganada e vive em uma ilusão, por ela mesma criada, de que tem um relacionamento perfeito, que é regado por atitudes dissimuladas de carinho e afeto proporcionadas pelo seu parceiro, quando, na realidade, o referido parceiro está simplesmente se aproveitando da situação por ele arquitetada para pedir ajuda financeira, empréstimos com promessas de pagamento no futuro ou recompensas, sem que nunca, de fato, ocorram.

Fato é que a conduta configura não só crime, com pena de reclusão de 01 a 05 anos e multa, mas, também autoriza à vítima que busque eventual reparação dos prejuízos que tiver sofrido perante o Poder Judiciário na esfera cível ao pleitear danos materiais e/ou morais.

Infelizmente a grande maioria das vítimas sente uma enorme vergonha em assumir que foi enganada dessa forma não comunicando às autoridades policiais competentes a ocorrência do fato criminoso, afinal, trata-se de uma grande exposição da sua intimidade, além de um enorme desconforto ter que relatar, em detalhes, toda aquela situação constrangedora pela qual passou.

Apesar da evidente dificuldade em denunciar o parceiro enganador, esta, sem sombra de dúvidas, é a medida mais acertada, afinal, somente assim poderá ser devidamente responsabilizado pela dor e sofrimento que fez a vítima passar, além de conscientizá-lo no sentido de que não reincida nessa prática cruel em desfavor de outras possíveis vítimas.

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