Obesidade: corpo e mente

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 04/07/2020) – Edição 2058

Dr. Tarcísio Narcísio Silva

Não é novidade que o excesso de peso prejudica o funcionamento correto de nosso organismo. Também não há mais dúvidas quanto às doenças que a obesidade pode trazer como hipertensão arterial, colesterol alto, diabetes, desgaste de articulações, aumento de ácido úrico, apnéia do sono e tantas outras complicações.

Pouco se comenta no entanto sobre a questão psicológica e social que envolve a obesidade. É comum que pessoas obesas apresentem um ou mais problemas psicológicos, como causa ou como conseqüência da obesidade. Ou seja, alguns problemas como ansiedade, depressão e compulsão alimentar podem levar o indivíduo a ganhar peso progressivamente. Por outro lado, o excesso de peso pode baixar a auto-estima do paciente desencadeando ansiedade, depressão e compulsão alimentar, o que piora todo o quadro.

A busca por um peso saudável deve ser estimulada sempre. Porém, o que vem tornando a questão da obesidade um pesadelo para quem está acima do peso consiste justamente na questão social que envolve a obesidade. Existe uma pressão enorme da sociedade para que se busque um corpo perfeito e, o que é pior, custe o que custar! Não importa os riscos que se corre usando fórmulas de emagrecimento ou dietas rigorosas e desbalanceadas. Não importa se esses tratamentos radicais vão trazer problemas cardíacos, osteoporose, desordens hormonais; tampouco importa se irão piorar os quadros de ansiedade, depressão, compulsão ou dependência de medicamentos.

A obesidade atualmente não é apenas um problema de saúde física, mas também uma questão de saúde mental. Os valores sociais sobre o que é bom e belo têm forçado os obesos a buscarem soluções drásticas, porém se observa na prática que os resultados são transitórios. O paciente logo volta ao peso anterior e muitas vezes com complicações maiores tanto físicas quanto mentais. Isso tudo porque não foi realizado um tratamento individualizado, voltado para a causa da obesidade naquela pessoa, que pode ter um problema psíquico ou  hormonal que leve à obesidade. A pessoa obesa se torna então frustrada e com sérios problemas psíquicos, que são na maioria das vezes piores do que a própria obesidade.

 

É possível ser obeso, porém feliz e saudável? Não há dúvida que sim! Porém algumas coisas têm que ser bem entendidas. Primeiro: a obesidade é uma doença crônica e portanto a pessoa deverá se cuidar pelo resto da vida. Até o momento não existe tratamento definitivo para a obesidade. Mesmo quem se submete a cirurgias para redução de estômago deve tomar os devidos cuidados  pelo risco de ganhar novamente todo o peso perdido; isso não é raro de acontecer. Segundo: em questão de saúde, perdas de 10% do peso inicial já são suficientes para controlar complicações como diabetes, pressão alta e colesterol em muitos casos. Portanto, do ponto de vista médico, não há a necessidade de grandes perdas de peso para a maioria das pessoas, exceto naquelas com obesidade mórbida. Terceiro: ter saúde significa também viver  bem consigo mesmo e dentro da sociedade. De nada adianta ter um bom peso mas viver “estressado”, de mal-humor, deprimido ou dependente de medicações para manter o peso; isso também pode gerar doenças sérias.

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