Jesus Cristo vive em mim?

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 29/05/2021) – Edição 2104

Pastor Presbiteriano – Éder Henrique

A santificação é talvez um dos assuntos mais importantes e o menos polêmico das Escrituras Sagradas e entre os próprios cristãos. Afinal de contas, qualquer bom cristão sabe e reconhece a importância de ser santo, santificar-se e viver em busca da santidade. É sempre bom lembrarmos que a santificação no sentido bíblico, não se refere ao ato de ser perfeito e de não cometer erros, “ser” separado por Deus e “estar” em constante comunhão com Deus, porém, ser santo não é um meio de justificação diante de Deus, ou seja, a santificação não nos torna justos diante de Deus. A justificação ocorre no momento da conversão, sendo fruto de uma ação externa, totalmente dependente de Deus, por meio da obra de Jesus Cristo e não tem qualquer participação do crente, mas, a santificação é um complemento da justificação, é um processo contínuo com efetiva participação do cristão, porque sem a santificação ninguém verá o Senhor Deus (Hb 12.14).

A santificação implica principalmente na morte do pecado que habita em nós e em viver de acordo com a vontade de Deus revelada nas Escrituras Sagradas. Apesar de regenerados e de possuirmos uma nova natureza, por causa de Cristo Jesus, o cristão continua pecador e diariamente precisa, anseia e depende do poder do Espírito Santo. Santificação é o poder espiritual para dominar as paixões carnais e vencer o pecado de cada dia. Viver em santificação é uma prova da salvação porque é o testemunho prático de uma vida cristã separada, consagrada e inteiramente dedicada a Deus, por isso, o cristão é salvo pela graça de Deus não por obras. A santificação nos alerta sobre a real condição de nosso relacionamento com Deus e a maneira que vivemos neste mundo.

Sendo assim, a santificação é o resultado da união da fé e das obras. A prática da santificação exige separação do pecado e entrega a Deus. A santificação nos faz viver pela fé e praticar as boas obras, preparadas por Deus antes da criação do mundo, porque uma obra só pode ser boa se for dedicada a glorificação de Deus. Não se trata apenas do que é feito, mas da motivação, isto é, de um coração consagração a Deus. Desprezar a santificação é tentar viver pela fé, mas sem as obras, ou praticar boas obras sem a fé. Nesse caso uma anula a outra, porque ambas estão mortas (Tg 2.26). Não existe um cristão que não se santifique, assim como não é possível que uma árvore boa produzir frutos ruins continuamente (Mt 7.17), ou uma fonte de água doce produzir água amargosa (Tg 3.11).

Colunas