Idosos e o risco da imobilidade

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 20/03/2021) – Edição 2094

Dr. Tarcísio Silva

Com o crescente aumento da expectativa de vida no Brasil e em todo o mundo, verificamos também um aumento das doenças relacionadas ao envelhecimento. Ao longo de nossas vidas, acabamos por acumular várias agressões em nosso organismo. Problemas de coluna, artroses, doenças circulatórias, reumatismos, excesso de peso, tabagismo, sedentarismo e várias outras condições provocarão dificuldades para a realização de movimentos. Idosos apresentam um grande risco para a imobilidade, que é a incapacidade para realizar movimento adequadamente, independente da ajuda de outras pessoas. A imobilidade prolongada prejudica muito a qualidade de vida dos idosos. Além disso, pode desencadear outros problemas de saúde graves, diminuindo a expectativa de vida. Algumas das principais consequências da imobilidade prolongada são citadas a seguir.

 

Piora dos problemas musculares e esqueléticos:

A falta de atividade física regular provoca atrofia dos músculos, enrijece as articulações e piora a perda de cálcio dos ossos, levando a osteoporose. Tudo isso diminui ainda mais a capacidade para atividade física, deixando o idoso muito frágil, inseguro para realizar tarefas simples. Essa falta de segurança para se locomover e realizar tarefas acaba reduzindo a auto-estima do paciente, desencadeando problemas psíquicos como depressão. O paciente passa a ficar cada vez mais dependente de cuidados simples como se alimentar, tomar banho e até para se levantar da cama.

 

Problemas respiratórios:

A capacidade respiratória tende a diminuir com a falta de atividade física. O paciente passa a se fadigar com os mínimos esforços. Com o pulmão mais frágil, o paciente fica susceptível a contrair infecções respiratórias com muita frequência (pneumonias, sinusites).

 

 

Desidratação e desnutrição:

Muito comum em idosos acamados ou que se movimentam pouco. Os idosos que dependem de pessoas para lhes levarem alimentos e água acabam não ingerindo a quantidade necessária. Inconscientemente, o idoso passa a se acostumar a ingerir pouca água e alimentos, desenvolvendo graus variáveis de desnutrição e desidratação. Com o organismo debilitado, se tornam frequentes as infecções urinárias e pneumonias.

 

Problemas cardiovasculares:

A principal causa de morte súbita de idosos imobilizados (principalmente acamados) é a embolia pulmonar. Ocorre quando o sangue coagula nas pernas pela falta de exercícios, sendo levado pela circulação até os pulmões, causando falência dos pulmões e do coração. A imobilidade pode levar a tromboses e erisipela.

 

Outros problemas comuns:

Idosos que passam grande parte do tempo deitados ou sentados podem desenvolver úlceras de pressão, que são feridas em locais do corpo que ficam muito tempo em contato com cadeira ou cama. Essas úlceras podem se infectar, causando infecções mais graves com grande risco de morte no idoso. A imobilidade pode provocar incontinência urinária, que é a incapacidade de segurar a urina, com o paciente urinando na roupa a todo o momento. Pode ainda impedir os movimentos dos intestinos (peristaltismo), causando constipação intestinal (ou intestino “preso”).

 

Algumas dicas para os pacientes e seus familiares:

Idosos devem manter uma rotina de exercícios regulares. O tipo de exercício vai depender de cada paciente, de suas limitações e problemas que já apresenta. Em alguns casos é aconselhável realizar um tempo de fisioterapia, que pode ajudar a fortalecer os músculos e corrigir a postura, melhorando o desempenho físico.

É muito importante o apoio da família, que deve estimular o idoso a se exercitar, alimentar corretamente, ingerir líquidos de forma adequada. A família deve ajudar o idoso a manter horários regulares para tudo, inclusive o horário para ir dormir e se levantar, evitando “sonecas” prolongadas durante o dia, que prejudicam o sono à noite e causam indisposição durante o dia.

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