Diabetes e demência

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 30/01/2021) – Edição 2087

Dr. Tarcísio Silva

Demência, popularmente conhecida por “esclerose”, corresponde a uma disfunção no sistema nervoso que provoca dificuldades de memória e de realizar atividades habituais, como falar, escrever e se cuidar sozinho. Recentes estudos têm demonstrado que o diabetes é uma importante causa de demência. A frequência de demência na população geral varia de 5,9% a 13% em indivíduos maiores de 60 anos. Entre os tipos de demência, a doença de Alzheimer é a mais comum, correspondendo a 55% dos quadros demenciais após os 65 anos, seguida pela demência vascular (dano dos vasos sanguíneos do cérebro pela hipertensão arterial, diabetes ou colesterol). Quanto mais idoso é o paciente com diabetes, e quanto mais tempo seu diabetes permanece descontrolado, maiores as chances de se desenvolver demência.

 

Sintomas da demência

Variam com a causa da demência. Os principais são: perda de memória, dificuldade para lembrar nomes de pessoas ou objetos; dificuldades para falar, ler ou escrever; dificuldades para manusear objetos e andar. Nas fases iniciais, geralmente a memória fraca é o primeiro sintoma. Nas fases mais avançadas, a pessoa pode apresentar alucinação, alterações do comportamento, convulsões, quedas frequentes, incapacidade para controlar esfíncteres levando a incontinência urinária e fecal. Portanto, os quadros de demência podem deixar o indivíduo seriamente incapacitado para suas atividades diárias.

 

 

Como o diabetes provoca demência?

Existem vários mecanismos pelos quais o diabetes provoca quadros de demência. O mais conhecido ocorre através do comprometimento dos vasos sanguíneos do cérebro, provocando a chamada Demência Vascular. Nesses casos, o diabetes, associado à pressão alta e colesterol elevado, provoca o entupimento dos vasos sanguíneos, também conhecido como aterosclerose. Além de provocar demência, a aterosclerose no sistema nervoso central pode levar ao derrame ou AVC (Acidente Vascular Cerebral).

O excesso de glicose no sangue pode ainda intoxicar os neurônios do cérebro, danificando sua estrutura e provocando danos reversíveis e irreversíveis no sistema nervoso. A recuperação do paciente vai depender do quanto ele demora a procurar tratamento adequado, controlando os níveis de glicose do sangue.

Outro mecanismo ocorre devido ao uso incorreto de medicações para o tratamento do diabetes. Algumas dessas medicações impedem o intestino de absorver nutrientes da dieta, como vitaminas do complexo B. A falta dessas vitaminas prejudica o funcionamento do cérebro. Por isso, dependendo da medicação usada pelo paciente diabético, há a necessidade de ajustes na alimentação e até uso de suplementos de vitaminas e minerais adequados.

 

Como é se previne a demência no diabético?

O ponto fundamental é o controle rigoroso dos níveis de glicose do sangue, do colesterol e pressão arterial. É a única forma de prevenir a Demência Vascular. Quanto mais tempo o diabético ficar com sua glicemia descontrolada, maiores os danos ao sistema nervoso, com maior risco de demência. O abuso de bebidas alcoólicas é altamente prejudicial para os neurônios, predispondo para os quadros de demência principalmente em diabéticos. Na avaliação clínica do paciente, há a necessidade de se descartar outras causas de demência. Como explicado anteriormente, a Doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência. Alguns exames são necessários para se avaliar doenças do sistema nervoso, problemas hormonais e nutricionais, doenças psiquiátricas, dentre outras. Somente após essa avaliação é possível estabelecer o tratamento mais apropriado.

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