Craques lendários

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 10/03/2018) – Edição 1939

Marlon Santos

ALÔ, ARCOS!  O futebol (profissional e amador) conta a mesma história no que se refere aos craques e seus clubes de coração, algo inusitado. Nos maiores clubes de Minas Gerais temos exemplos de jogadores que vestiram a camisa de uma equipe e jamais colocaram em seu corpo a camisa do maior rival do seu estado. O atacante Marcelo Ramos, que brilhou na década de 1990, com a camisa do Cruzeiro, foi um desses que realmente mostraram um carinho com a torcida cruzeirense. A forma dele mostrar a gratidão foi não ter usado a camisa do Atlético mineiro durante sua carreira profissional. No Atlético mineiro, temos o exemplo do arqueiro João Leite, que iniciou sua carreira no Atlético e também não usou a camisa cruzeirense. Seguindo o exemplo desses dois atletas, temos diversos exemplos e que, se fôssemos mencionar, esta página não teria espaço para escrever. Mas existe o mesmo exemplo de jogadores que mudaram de equipes repentinamente, e não mostraram rancor. O último caso é do atacante Fred, que em um passe de mágica se transferiu do Atlético para o Cruzeiro, e deixou a torcida atleticana perplexa. Não podemos julgar a opção de jogadores profissionais no que se refere à troca de times, afinal, o que mais ouvimos é “que são profissionais e têm que seguir suas carreiras” . Esta justificativa é plausível, em se tratando de profissionalismo. Quanto ao torcedor, este assiste a tudo e aplaude essas contratações, principalmente quando seu clube é um dos beneficiados. Aliás, o torcedor se tornou uma vítima da própria paixão, e não contesta o que estiver beneficiando suas equipes, pois é um modo de entender que tudo é normal. O mundo do futebol costuma ser cruel com os torcedores, que em sua maioria vive de momentos de paixão. Os dirigentes têm noção que é mais fácil agradar o torcedor com contratações bombásticas, que conduzir as finanças dos clubes com ética.  Nesse momento, o futebol de campo começa a mostrar se realmente foram compensadores os riscos de contratações que podem, futuramente, derrubar o seu clube em uma crise financeira sem precedentes. Porém, ao torcedor interessam as glórias dos títulos, e o futuro não tem tanta importância. Esta é uma triste realidade que temos que aceitar e jamais contestar.

 

No futebol amador a realidade não é diferente

Até mesmo no futebol amador essa realidade não é diferente, pois não existe mais aquele amor a um clube; e a proposta financeira é capaz de mudar todo um panorama. No ano de 2013, o Associação disputava a Copa Rivas, e o Ypiranga estava na disputa do municipal, eis que alguns jogadores disputaram o primeiro tempo de um jogo da Copa Rivas com a camisa do Associação, e depois disputaram o segundo tempo do municipal com a camisa do Ypiranga. Essa realidade é até mesmo difícil de entender, mas realmente aconteceu. Porém, seguindo o exemplo dos jogadores profissionais, existem jogadores amadores que nunca vestiram a camisa do arquirrival. Cito dois exemplos clássicos, de dois ídolos: o atacante Quincas, que atuou pelo Associação, e o Didi (in-memoriam)  vestindo a camisa do Ypiranga. Ao longo de suas carreiras, estiveram sempre ao lado de suas torcidas.  O Quincas foi ídolo no Associação, e o Didi no Ypiranga, e deixaram seus nomes cravados na história do futebol amador de Arcos.

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