Aumento de Ácido Úrico

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 06/06/2020) – Edição 2054

Dr. Tarcísio Narcísio Silva

O ácido úrico é uma substância produzida a partir de componentes das células chamados purinas. O fígado é o órgão que degrada as purinas produzindo o ácido úrico, que é eliminado do nosso organismo através dos rins ou  pela bile. O ácido úrico, quando está em excesso em nosso organismo, pode se acumular em diversos órgãos causando danos. Esse excesso de ácido úrico no sangue é chamado de Hiperuricemia. A Hiperuricemia está presente em 15% da população e é mais comum nos homens; nas mulheres, geralmente aparece depois da menopausa. Nas articulações, o ácido úrico pode se acumular e provocar inflamações muito dolorosas, conhecidas como “crises de gota”, além de artrites.

 

 

 

Consequências para o organismo

Além de poder provocar crises de gota, o excesso de ácido úrico pode se acumular nos rins, levando a formação de “pedras”, conhecida como litíase renal. Pode ainda provocar dano aos rins levando a insuficiência renal, com perda dos rins. Muitos pacientes no entanto, não desenvolvem nenhum sintoma pelo excesso de ácido úrico. Porém, todos os pacientes com hiperuricemia  têm uma chance maior de desenvolverem diabetes, hipertensão arterial, aumento de triglicérides e colesterol, e de desenvolverem infarto e derrame.

 

 

Causas da Hiperuricemia

Várias doenças como anemias, problemas do fígado e rins, medicações ( diuréticos, cafeína, vitamina C, teofilina), e tumores podem aumentar o ácido úrico no sangue.

Existem problemas genéticos que levam o fígado a produzir excesso de ácido úrico; esses casos são geralmente hereditários.
Excesso de bebidas alcoólicas é uma das principais causas desse problema metabólico.

Sabe-se hoje que, na maioria dos casos, as pessoas com hiperuricemia apresentam um defeito na produção de insulina pelo pâncreas que leva ao aumento do ácido úrico. É por isso que esses pacientes têm também mais predisposição para desenvolverem diabetes e obesidade.

 

Tratamento

Durante as crises de gota, existem alguns antiinflamatórios específicos para serem utilizados, reduzindo o inchaço e a dor das articulações. Uma vez controlada a crise de gota, inicia-se o tratamento da hiperuricemia. O primeiro passo é avaliar se o paciente apresenta alguma causa para o aumento do ácido úrico, que possa ser tratada.

Nos casos em que o ácido úrico for muito alto ou nos casos em que exista alguma complicação pela hiperuricemia, utiliza-se medicações que diminuem o ácido úrico no sangue.

A dieta é parte importante do tratamento, devendo-se evitar excesso de carnes, leite e seus derivados, frutos do mar, miúdos e cereais integrais.. O consumo de álcool no entanto deve ser reduzido ao máximo.

Estudos recentes mostram que a perda de peso talvez seja um dos pontos mais importantes para a redução do ácido úrico, além de reduzir a pressão arterial, colesterol e controle do diabetes quando presentes.

Colunas