Aprendendo a vontade de Deus nos Momentos mais difíceis

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 20/03/2021) – Edição 2094

Pastor Presbiteriano – Éder Henrique

No Salmo 119.71 está escrito: “Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos”. Certamente, sem a iluminação do Espírito Santo jamais poderíamos compreender essa verdade tão importante para nossa vida. Este pequeno verso da Escritura Sagrada nos ensina que passar pela aflição é bom. De fato, é uma expressão estranha e para as pessoas não cristãs, a aflição é sempre alto terrível e com certeza, somente os filhos de Deus podem admitir que é bom ser afligido! Isso acontece porque os filhos de Deus creem que todas as palavras escritas na Bíblia Sagrada são verdadeiras e perfeitas e se apegam a essa verdade, até que a aflição acabe. Sofrer em si mesmo não é bom, porém, sofrer e através do sofrimento nos aproximarmos mais de Deus, confessando nossa fraqueza e suplicando o auxílio, o amparo e socorro de Deus é muito bom. O sofrimento nos ensina a confiar em Deus e demonstra o quanto somos fracos e dependentes de Deus. Pelo sofrimento, podemos aprender a vontade de Deus nos momentos mais difíceis da vida. Com toda certeza, é bom sermos afligidos para perceber que precisamos de Deus.

O contexto nos mostra que as aflições e perseguições do salmista tinham raízes em seu pecado (Sl 119.67), por isso ele confessa que por um momento da vida havia se desviado dos caminhos do SENHOR Deus e se envolvido com más amizades, inflado o seu coração com engano, facilidades e prazeres destrutivos da vida. Isso pode acontecer com todos, mesmo dentro da Igreja podemos vacilar e permanecermos distantes de Deus e com o nosso coração inclinado a coisas ruins. Contudo, vemos como graciosamente o SENHOR Deus traz para o prumo da sua vontade aqueles a quem ele escolhe (Sl 119.67). Por causa disso, os antigos amigos do salmista passam a ser seus inimigos e forjam mentiras e lhe causam aflições. O que percebemos aqui é que nesse ponto, suas aflições não cessaram por simplesmente ele ter voltado a servir a Deus. Isso nos ensina que Deus não tira a oposição do presente, enquanto tivermos um espírito orgulhoso, autossuficiente e soberbo. Há um aspecto pedagógico na aflição passada pelo servo de Deus. Pois, embora a aflição não tenha sido removida, e não a compreendida plenamente ao enfrentá-la, disse o salmista: “Foi-me bom ter eu passado pela aflição”, ou seja, Deus é o nosso professor na escola da aflição.
Analisando novamente o versículo 71, do Salmo 119, podemos notar em primeiro lugar uma afirmação: “Foi-me bom ter sido afligido”; e em segundo lugar uma razão: “para que aprendesse os teus estatutos”. As Escrituras nos ensinam que enquanto estamos sob aflições, nos sentimos desanimados e angustiados pela adversidade presente, a tal ponto de não conseguirmos discernir o benefício dela; mas, ao passarmos por ela e refletirmos humildemente na soberania e providência divina, concluímos que Deus ordenou isso com muita sabedoria para a nossa fidelidade e paz com ele. A Palavra de Deus é clara: “Eis que bem-aventurado é o homem a quem Deus repreende; não desprezes, pois, a correção do Todo-Poderoso” (Jó 5.17).

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