Goleiro Paulo, a lenda!

(Matéria publicada pelo Jornal CCO em 03/07/2021) Edição 2109

O advogado Paulo Antônio Roberto, 73 anos, além de ser respeitado na área de Direito, também foi um grande talento no futebol, admirado no meio esportivo, com exceção, é claro, dos jogadores e torcedores adversários.

Ainda na adolescência, ele iniciava uma carreira profissional. Jogou no Atlético Mineiro aos 16 anos, mas o Atlético não remunerava jogadores júniores e o garoto precisava de dinheiro para ajudar a mãe, então voltou para casa (em Divinópolis) e foi chamado para jogar em Conceição da Aparecida, onde ficou aproximadamente um ano e se destacou em um campeonato regional do Sul de Minas. Depois foi convidado a jogar no Paraense Esporte Clube, de Pará de Minas. Sequencialmente, em várias outras cidades.

Paulo nasceu em Monte Carmelo. A mãe dele faleceu aos 44 anos, quando moravam em Divinópolis. Ele conta que ela trabalhava bastante, mas tinha a saúde debilitada e precisava de ajuda financeira. “Comecei a trabalhar com 8 anos de idade. Trabalhei entregando ternos em uma lavanderia e era pajem do filho da dona da lavanderia”. Depois de um tempo, descobriu que a mãe dele nasceu na zona rural entre Arcos e Japaraíba. “Minha família é daqui e tenho certeza que tenho parentes aqui na ‘Rua do Sapo’, mas não sei quem”, comenta.

Em certa ocasião, foi jogar, com seu time, em Bambuí. Pararam em Arcos para almoçar e foi naquele dia que ele conheceu a cidade. “Nosso uniforme era muito bonito, na cor verde; e lá no caramanchão, na praça Floriano Peixoto, ficou cheio de mocinhas querendo conhecer os jogadores”, lembra.

Depois de um tempo, conseguiu um emprego na função de atleta na Usina Luciânia, em Lagoa da Prata. Ele permaneceu por um período e retornou a Divinópolis. Ao ser informado que em Arcos estavam precisando de um goleiro, ele veio para a cidade, aos 21 anos. Começou a trabalhar na empresa Itaú, inicialmente fazendo capina na área dos eucaliptos da fábrica, durante dois ou três meses. O gerente era Nei Carlos Sampaio, que o entrevistou e o contratou.

 

Paulo Antônio Roberto e esposa

Dedicação aos estudos – O tempo foi passando e o jovem Paulo se destacava como um profissional competente e dedicado, na Itaú. Fazia serviços de limpeza, servia café e outras atividades. Depois tornou-se auxiliar de laboratório, aprendendo um novo ofício.  A partir de então, teve a oportunidade de mostrar seu talento na área de Química. “O pessoal da matriz, em São Paulo, apreciou meu trabalho, pelo cuidado e interesse”. O tempo livre foi dedicado aos estudos. Concluiu o ensino básico na escola estadual “Berenice de Magalhães Pinto” e também fez o curso de Auxiliar de Laboratório no Colégio Dom Belchior.

Diante da necessidade de seguir os estudos na área, ele mesmo se empenhou para trazer um curso para Arcos.  “Mostrei muito interesse e conhecimento na área de Química. Mas aí eu teria que fazer mais um ano, em Divinópolis, para ser técnico. Aqui não tinha o curso. Então, eu fundei o curso técnico de Química no colégio Dom Belchior. Eu, professor Joaquim (“Joaquim Português) e a secretária Lilia. Íamos a Belo Horizonte e no Conselho Regional de Química, para implantarem, aqui, o curso técnico em Química”, lembra.

Esse curso formou um grande número de profissionais de Arcos e região. Depois de concluir essa formação técnica, Paulo foi promovido na fábrica, ao cargo de Químico. Ele se recorda que em um mês chegou a ter três aumentos de salário e chegou a receber quase 20 salários mínimos por mês. Com conhecimento prático e teórico, também foi professor no curso de Química durante 15 anos, de 1979 a 1994.

Sempre dedicado aos estudos, fez três cursos de nível superior:  Ciências Biológicas, na Faculdade de Formiga; Administração de Empresas e Direito, em Divinópolis. Formou-se em Direito em 1990 e concluiu especialização na área, em Sete Lagoas, no ano 1992.

 

“Tive o ‘desprazer’ de acabar com todos os goleiros aqui da região.  Todos batiam palmas pra mim, que tomei o lugar de todos eles”, afirma, sorrindo.

Grande parte da carreira profissional foi conciliada com o futebol. Foi goleiro do time Associação Atlética Arcoense (AAA) ao longo de 12 anos e sempre era convidado a jogar em outras cidades.

Quando começou a trabalhar na Itaú, havia um time de futebol na empresa, que depois ficou inativo. “Na época, o ‘Sr. Peri’ (que era o treinador do AAA) e o Sr. Roldão Sena resolveram me chamar para jogar na AAA, onde joguei durante 12 anos e tive o ‘desprazer’ de acabar com todos os goleiros aqui da região. Todos batiam palmas pra mim, que tomei o lugar de todos eles”, afirma, sorrindo.

O jovem Paulo sempre era convidado a jogar nos campeonatos regionais para Formiga, para o Atlético de Piumhi, para a AAA, campeonatos de futebol de salão em Formiga e outros. Era considerado praticamente uma “lenda” do futebol na região.
Foi presidente do clube AAA por volta de 1990 e também treinador e diretor em outras ocasiões. Ele relata que o AAA conquistou vários títulos.  “Fomos campeões várias vezes. Perdi apenas um título para o Ypiranga, a Taça Magalhães Pinto. Foi nossa única derrota, na década de 1980”, conta.

O goleiro era mesmo uma “ameaça” para os torcedores adversários, que apelavam para os xingamentos e apelidos. “Eu tinha apelido de Cassilda Preta, ‘Aribu’, Coador, Catuaba. Nunca liguei! Eles xingavam e eu dava risadinhas e mandava beijos”, comenta, sorrindo.

Na época eram realizados muitos campeonatos e o goleiro Paulo sempre era convidado. Ele se recorda que o famoso Wilson Piazza costumava vir a Arcos no fim do ano e também em outras cidades, levando times, ocasiões em que comentava sobre a presença constante do goleiro Paulo. “Toda vez, eu que jogava. O Cruzeiro vinha jogar em Formiga, eu jogava em Formiga; vinham jogar em Piumhi, eu jogava em Piumhi”.

Ele também se recorda, com saudosismo, de outros atletas renomados na cidade e região. “O melhor jogador de todos os tempos de Arcos foi o Quinca: Joaquim Caetano Sobrinho. Também teve o Didi” (Adriano Carlos de Oliveira, que era jogador do Ypiranga Esporte Clube)”.

Dr. Paulo é casado com Maria Inês Ribeiro Roberto. O casal teve três filhos e quatro netos (duas meninas e dois meninos). Hoje, se recorda com saudades daquele tempo.  “Sinto saudades de tudo isso, principalmente do futebol de salão”.

Site antigo