Dona Guiomar Cunha relembra fatos curiosos da educação, cultura e de comércios em Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 03/07/2021) – Edição 2109

Guiomar Vieira da Cunha, 85 anos, arcoense, foi casada com Roque Pereira Cardoso. O casal teve 12 filhos, 22 netos e 16 bisnetos. Ela enfatiza a alegria e o orgulho que sente da família que formou. Os filhos: Celso Geraldo Cardoso, Célia Aparecida Cardoso, Maria Neusa Cardoso, José Ronaldo Cardoso, Paulo Rosimar Cardoso, Miguel Ângelo Cardoso, Roberto Vieira Cardoso, Gentil Vieira Cardoso, Rosa Cristina Cardoso, Henrique Vieira Cardoso, Roseane Vieira Cardoso e Solange Vieira Cardoso.

A família é bem precioso para Dona Guiomar, que também cita os nomes de seus avós: avó materna Leopoldina Cândida de Jesus e avô materno Antônio Jacinto da Cunha; avó paterna Maria José de Avelino e avô paterno Moisés Carvalho; e dos pais: Caneto Vieira da Silva e Rosalina Vieira dos Santos, que tiveram nove filhos; dois morreram ainda bebês e os outros sete: Geni Vieira da Cunha (costureira), Gentil Vieira da Cunha (coletor), Giva Vieira da Cunha (professora), Gilda Vieira da Cunha (professora, ministra da Eucaristia), Gerson Vieira da Cunha (auxiliar administrativo), Gilberto Vieira da Cunha (secretário escolar e diretor), Guiomar Vieira da Cunha (professora – nossa entrevistada).

Cursou até o 4º ano primário no Grupo Escolar de Arcos, hoje escola estadual Yolanda Jovino Vaz. Ela se lembra da escola com muito amor e saudades. Teve apenas uma professora durante quatro anos, Dona Albertina Nogueira, que também era sua madrinha. As demais professoras foram: Dona Genoveva Nogueira, Dona Geralda Salvador Rodarte, Dona Coney, Dona Leopoldina Ribeiro Zuquim e Dona Nagibe Choucair. A diretora da época era Dona Corina Ribeiro de Carvalho do Vale.

Dona Guiomar descreve como foi sua aprendizagem escolar. No primeiro dia de aula, copiou o nome e apreendeu as palavras mais conhecidas, nomes de frutas e animais. No mês de junho – aproximadamente seis meses de estudo – já lia e escrevia várias palavras. Recorda-se do “Cartaz da LILI” e do livro A bonequinha preta, de Alaíde Lisboa de Oliveira. Na Matemática, aprendeu somar e subtrair.

No segundo ano, o estudo foi baseado em historinhas e verbo (primeira conjugação); na Matemática, apreendeu multiplicação. No terceiro ano, aprendeu poesias: Plutão, Canção dos Tamanquinhos, O Enterro da Cigarra, A história de um cão. Uma das tarefas dadas aos alunos era a descrição do perfil de cada um. Também faziam um jornal com assuntos da escola. Na Matemática, aprendeu divisão. No quarto ano, aprendeu o básico sobre os verbos. Estudou no Dicionário de verbos e regimes, de autoria do arcoense Chico Eco (Professor Francisco Fernandes), nome da rua onde Guiomar mora atualmente. Em sua definição, “Estudar verbo é a base da comunicação”. Na Matemática, aprendeu o M.D.C. (Máximo Divisor Comum), M.M.C. (Mínimo Múltiplo Comum) e “tirar prova dos 9 fora”. Lembra-se, emocionada, do primeiro livrinho que leu: A bonequinha preta, de Alaíde Lisboa de Oliveira.

A merenda escolar era gratuita para as crianças da “caixa escolar”; e para os demais, era cobrado um valor simbólico. O cardápio era composto de: Canjica, Sopa de mandioca, Sopa de farinha de mandioca (chamada pelos alunos de grude).

Dona Guiomar conta que um dia, estando com sarampo, foi impedida por sua mãe de ir à escola, mas como ela não queria perder aula, saiu sem que ninguém visse. No meio do caminho, foi “resgatada” pelo irmão e, então, voltou para casa.

Também se recorda que em um dia de avaliação na escola, estava vindo de uma fazenda com o pai dela, a cavalo, chorando, porque estava com medo de perder a prova. Ao chegar em casa, deparou-se com um colega de classe, esperando por ela, a pedido da professora, para saber o motivo de ela não ter ido fazer a prova. Hoje ela avalia que as exigências escolares antigamente eram mais rígidas. Os alunos tinham de copiar os apontamentos do quadro (a lápis) e, em casa, passavam a limpo com caneta tinteiro (molhava a pena e copiava novamente).

Professora leiga, trabalhou na Nestlé, em Calciolândia, nos anos de 1953 a 1956 e 1958 a 1960. Sua família sempre esteve presente na comunidade de Calciolândia, principalmente com Dr. Donato de Andrade, que convidou suas irmãs para lecionarem na escola local e morar em sua casa. “Quando lecionei, a escola se chamava Dr. Donato de Andrade. A supervisora era a Senhora Rute Rezende Pereira; e a Senhora Ligia Moinhos, da cidade de Formiga, era Diretora Regional.  Posteriormente, sua mãe, viúva, mudou-se para Calciolândia, onde morou nos fundos da escola onde suas filhas lecionavam, em uma rua às margens da ferrovia. Lá, existia agrupamento de casas que tinham as seguintes denominações: baú, caieiras, colônia e faroeste.

 

A cultura de Arcos e fatos curiosos

Dona Guiomar se recorda que em Arcos havia um grupo de teatro comandado por Juraci Camargo e alguns de seus integrantes eram Vitória Golveia e Terezinha Golveia. Foram apresentadas várias peças, como: O louco da aldeia e A cega de Quion, quion. Guiomar ressalta que era uma “grande produção” e não era cobrado ingresso.

Os fotógrafos antigamente eram “Jorginho da Kodak”, que também era massagista do Ipiranga; Sr. Maneco e Zezinho Nicanor.
Nossa entrevistada também se recorda de um senhor que fazia “dente” e dizia ser de ouro, mas que, na verdade, não era ouro, e sim, um material de cobre, daquele usado para fazer tacho.

 

Comércios antigos de Arcos e “carros de aluguel”

Dona Guiomar se recorda dos seguintes comércios em Arcos: Casa Santa Maria (comércio em geral), tendo como proprietários Gerson Frias, Antônio Gonçalves de Oliveira e Geraldo Minervina; Casa Ideal (comércio em geral), propriedade do Sr. Evilásio Silva; Loja do Sr. João de Oliveira (tecidos em geral).

Os primeiros carros de aluguel (táxi), segundo Dona Guiomar, foram o Ford do Sr. Miro e a jardineira do Sr. Orácio.

 

 

Pertences da família

A família de Dona Guiomar guarda uma panela de pedra que vem passando de geração em geração há aproximadamente 300 anos. “Foi de minha tataravó”, conta. E ainda: uma máquina de costura de 111 anos, herdada da mãe de Dona Guiomar, que ainda funciona muito bem; um almofariz de bronze, utilizado para socar raízes para fazer remédio, que era do tempo da escravidão no Brasil; um garfo e uma colher de prata originais .

Reportagem feita por Dalvo Lopes Macedo, com a colaboração e o apoio de Rosa Cristina Cardoso de Amorim Teixeira.

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