Covid e Influenza: quem, como e quando testar?

Os casos de Covid-19 aumentaram drasticamente nos últimos dias, assim como os casos de Influenza. Apesar de serem doenças distintas, as duas apresentam quadros de sintomas gripais semelhantes.

Devido ao aumento da incidência desses vírus, a busca por testes aumentou consideravelmente na cidade de Arcos.

Para esclarecer as dúvidas dos leitores, o Jornal CCO entrevistou a biomédica Fernanda Carvalho, 31 anos, Responsável Técnica de um dos maiores laboratórios de análises clínicas do município.

Testes para Covid

Temos disponíveis alguns tipos de testes para a doença que acometeu o mundo nos últimos dois anos. No entanto, ainda há dúvidas sobre qual teste fazer em determinadas situações.

Os testes sorológicos para COVID-19 são testes para detecção de anticorpos das classes IgA, IgM, e IgG produzidos pelo organismo após a infecção pelo Coronavírus 19. São exames que podem ser utilizados para auxílio diagnóstico da infecção pelo SARS-CoV-2, desde que suas restrições sejam conhecidas e os resultados interpretados corretamente.

Um dos mais utilizados e indicados, o teste rápido de antígeno identifica as proteínas do SARS-CoV-2, como explica a biomédica Fernanda Carvalho.

“São testes imunocromatográficos para detecção de antígenos de SARS-CoV-2, qualitativo, realizado em amostras de nasofaringe (nariz/garganta)”.

Ainda segundo a Biomédica, o teste rápido de antígeno deve ser realizado em um determinado período e é indicado para pessoas sintomáticas e para as que tiveram contato com pacientes positivados.

“O teste rápido Antígeno deve ser realizado até o 7º dia de sintomas, preferencialmente, do 3º ao 5º dia. É indicado para pacientes com sintomas clínicos da infecção por SARS-CoV-2 e para pacientes que tiveram contato com pessoas que positivaram e, também, utilizado para auxiliar no diagnóstico da infecção”, explica.

Diferentemente do sorológico, o teste rápido de antígeno e o teste RT-PCR detecta o material genético do vírus a partir da mucosa do nariz e/ou garganta.

“Para o RT-PCR seguimos os mesmos critérios do teste rápido de antígeno para a data da coleta. Ou seja, do 3º ao 5º dia de sintomas, quando a carga viral está mais alta, porém essa coleta pode ser realizada após o 7º dia”, detalha Fernanda.

A biomédica ainda salienta que “o RT-PCR pode ser utilizado tanto para detecção inicial da infecção quanto para confirmação de resultado após um resultado reagente ou não reagente”.

Fatores que podem influenciar no resultado

“O tempo decorrido entre os sintomas e a data da coleta podem influenciar no resultado do exame, independentemente de sua metodologia. O teste rápido, quando realizado dentro dos critérios estabelecidos, tem uma alta taxa de confiabilidade”, explica Fernanda Carvalho.

Mas e quando o paciente não tem certeza do tempo decorrido dos sintomas?

Como explica a biomédica, os resultados falso-positivos podem ser raros, entretanto, os casos de falso-negativos podem ocorrer quando da incerteza da data inicial dos sintomas e, consequentemente, coleta no período errado.

“O teste pode apresentar, raramente, resultado falso-positivo. Se o paciente não tiver sintomas clínicos e a probabilidade de estar infectado for baixa, recomenda-se fazer o teste RT-PCR. Casos de falso-negativo acontecem principalmente quando o paciente não tem certeza da data inicial dos sintomas e o teste é realizado na data errada. Por isso, se o resultado for não reagente e persistirem os sintomas, recomenda-se repetir o teste após 2 ou 3 dias. Coletas realizadas muito precocemente ou tardiamente são passíveis de resultados negativos ou indeterminados”, ressalta.

A especialista ainda faz um alerta para que um resultado negativo não deva excluir o diagnóstico de Covid-19.

“Vale ressaltar que um resultado não reagente não exclui o diagnóstico da COVID-19 e não deve ser utilizado para suspensão do isolamento domiciliar”, conclui.

Influenza ‘na área’

Fernanda Carvalho explica que o teste para Influenza é rápido e se faz com amostras de nasofaringe. O teste faz a detecção de antígenos da Influenza tipos A e B, sendo que a tipo A tem três subtipos em circulação: o H1N1, H3N2 e H5N1.

Ainda segundo Fernanda, o ideal para a coleta de amostras de nasofaringe para a testagem de Influenza se dá entre o 3º e 7ª dia de sintomas.

A Influenza e a Covid-19 têm alguns sintomas em comum. Apesar de a Influenza não acarretar em complicações para a maioria das pessoas, é importante ficarmos atentos a um grupo de pessoas que pode vir a ter sintomas mais graves, como explica a biomédica Fernanda Carvalho.

“O que diferencia a COVID-19 da Influenza são sintomas repentinos de febre alta, mialgia, dor de cabeça, mal-estar grave, dor de garganta e rinite. Na Influenza, a maioria das pessoas se recupera dentro de duas semanas sem precisar de nenhum tratamento médico. Na população idosa, em crianças e pacientes acometidos com doenças pulmonares, diabetes, câncer, problemas renais ou cardíacos, a Influenza representa um risco sério. Neste grupo de pessoas, a infecção pode levar a graves complicações, como pneumonia e morte”.

Vamos manter os cuidados

Como é sabido por todos, a pandemia não acabou e doenças respiratórias com a Influenza mostram que devemos manter os cuidados.

“Sabemos que grande parte da população está vacinada, porém, algumas pessoas ainda estão resistentes quanto a essa conduta. O cenário atual nos mostra a velocidade da transmissão de ambos os vírus, SARS-CoV-2 e Influenza, e o agravamento do quadro de saúde de pessoas do mundo inteiro, inclusive os não vacinados. Devemos, portanto, manter o distanciamento social, fazer uso de máscaras e álcool em gel para tentarmos conter a circulação viral na nossa cidade”, conclui a biomédica Fernanda Carvalho.

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