Azor Vieira de Faria: o prefeito de Arcos que providenciou a vigência política dos partidos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 15/05/2021) – Edição 2102

Azor Vieira de Faria assumiu o cargo de prefeito de Arcos no dia 11 de janeiro de 1947, quando tinha 41 anos, sucedendo Aderbal Teixeira Amorim (segundo mandado). Azor permaneceu no cargo apenas um ano, período em que viabilizou “atos administrativos visando à redemocratização do Município, preparando a vigência política dos partidos e a consequente eleição para a escolha dos mandatários executivos e legislativos do triênio 1948 a 1950”, de acordo com registro do livro História de Arcos, de Lázaro Barreto (Editado em 1992).

Registros pesquisados por Dalvo Macedo, colaborador do Jornal CCO, mostram que no período de 1892 a 1947 havia os chamados “Vereadores Distritais e Especiais”, que eram nomeados pelo Colégio Eleitoral da Sede Municipal. A primeira legislatura tomou posse em 11 de dezembro de 1947.

Conforme consta na Galeria dos Prefeitos de Arcos, fixada na Prefeitura, Azor foi sucedido pelo médico João Vaz Sobrinho, que já havia ocupado o cargo antes, depois do primeiro prefeito de Arcos, Coronel José Ribeiro do Vale.

Azor era irmão de Trajano Vieira de Faria – que foi vice-prefeito de Arcos e também chegou a assumir a Prefeitura no segundo semestre de 1952 – e tio de Edgar Faria e Olívio Guimarães de Faria – Zizo, que também foram prefeitos de Arcos, respectivamente nas gestões 1959/1963 e 1973/1977. Era iguatamense, onde era sediada a fazenda dos pais, Felisbina Vieira de Faria e Modesto Olímpio de Faria (que tinha o título de Capitão).

 

A família

Azor foi casado com Romilda Alves de Faria e tiveram quatro filhos: Antônio Pereira de Faria, Joaquim Vieira de Faria Sobrinho (in memoriam), Maria Elisa de Faria Santana e Azor Pereira de Faria (in memoriam).

Atualmente, Antônio e Maria Elisa moram em Belo Horizonte. Antônio é empresário. Para relatarmos as memórias sobre Azor, falamos com a sobrinha dele, Jeanete Rocha de Faria Maia, filha de Trajano Faria. Ela descreve o tio como um homem bonito, charmoso, alegre, que gostava de contar histórias e era evoluído. “Falam que o Edgar Faria era o homem mais bonito de Arcos, mas para mim era o tio Azor. Era charmoso e brincalhão”.

Ele teria entrado na política porque queria ver Arcos crescer. “Foi prefeito quando nem tinha salário; era mesmo para ajudar, como meu pai, Trajano Vieira de Faria, que foi vereador, vice-prefeito, prefeito e nunca recebeu salário”.

Ao falar dos filhos de Azor, Jeanete diz: “São pessoas maravilhosas, que gostam demais de Arcos e se interessam muito pela nossa cidade ainda. Antônio é um homem muito culto”. Azor Pereira de Faria, um dos filhos de Azor que faleceu, era médico e morava em Brasília. Joaquim, o outro filho que faleceu, era empresário.  

Azor Vieira de Faria também gostava de festas e trabalhou para o desenvolvimento do Município nesse aspecto. Ele investiu na construção do prédio situado na esquina entre as ruas Getúlio Vargas e São Geraldo (onde hoje é a Ótica Popular). Montou a “Casa do Construtor” no primeiro pavimento e no segundo andar passou a ser um clube social. “Ele já morava em Patos e fez um clube no andar superior do prédio. Foi o primeiro clube com sócios em Arcos. Não doou o prédio, mas nunca cobrou o aluguel dos associados. Dedicou-se à cidade mesmo quando não morava aqui. Na minha juventude, ali era o clube de Arcos. Tinha “Hora Dançante” todos os domingos. Foi uma coisa maravilhosa para os jovens da época”.

 

Fonte de renda da família – Felisbina Vieira de Faria e Capitão Modesto Olímpio de Faria, pais de Azor, eram bem estruturados financeiramente. Azor era comerciante. “Eles moravam em Fazenda em Calciolândia e tinham casa aqui em Arcos. Quando começaram, ele um irmão (que se chamava Joaquim Vieira de Faria) abriram um comércio em Calciolândia. Ali era quase tudo do meu avô. Era um grande comércio, de ‘secos e molhados’. Eram atacadistas e abasteciam a região toda aqui. Era ao lado de onde era a Nestlé, naquela esquina”, conta Jeanete.

Depois que se casou com Romilda, que era natural de Pains, Azor montou outro comércio, também de “secos e molhados”, na praça João Pessoa em Arcos, onde o casarão que sediava o comércio ainda permanece. “Ali tudo, onde foi construída a avenida sanitária, era do meu avô (Capitão Modesto). Então foi repartindo. O casarão era na esquina da Casa Edson e tinha a fazenda no fundo, que depois foi loteada (loteamentos São Pedro e bairro “Dona Hilda Andrade” e também o local onde foi construída a avenida sanitária”).

Depois de um tempo, Azor  foi morar em Patos de Minas, com a família. Também lá ele montou um grande comércio. Foi naquela cidade que ele viveu até o fim da vida. Nasceu em julho de 1905 e faleceu em maio de 1971, aos 65 anos.

Site antigo