A trajetória de Zé da Alaíde no esporte

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 18 de dezembro de 2021) Edição 2133

O início da trajetória como jogador

O início da trajetória de Zé da Alaíde no futebol se deu por causa de um convite feito pelo seu vizinho conhecido como Chibilzão. “Eu tinha um vizinho, que inclusive jogou no Atlético-MG, chamado Chibilzão, que formou um time. Eu tinha uns 15 anos mais ou menos e estava lá no campo quando ele me chamou, pois faltou um goleiro”, explica Zé da Alaíde.

Entretanto, Zé não quis saber de ficar debaixo das traves, queira mesmo era fazer gols, como ele mesmo conta: “Eu fui gostando e entusiasmei; foi quando falei para o Chibil: ‘Não quero ser goleiro não, gosto é de jogar lá na frente’. Aí ele me colocou pra jogar de centroavante rompedor, estilo Dario. Eu era ruim, mas era bom pelo alto, era forte, então dava pra incomodar os zagueiros. Logo depois já fui para o aspirante do Ypiranga e tivemos a Taça Magalhães Pinto para disputar”.

Taça Magalhães Pinto de 1977

Segundo Zé da Alaíde, a Taça Magalhães Pinto, jogada no ano de 1977, deveria ter sido disputada anos antes, porém, uma confusão por causa de uma briga, no campo da Associação, fez com que a disputa da taça fosse adiada.

“Essa taça era de um torneio que já era pra ter sido resolvido, mas por causa de uma briga lá na Associação, o torneio ficou sem um campeão. Na época, tinha uma rivalidade muito boba entre os cartolas da Associação e Ypiranga. Tempos depois, resolveram fazer uma ‘melhor de 3’ para decidir o campeão. Joguei os três jogos variando entre centroavante e ponta direita”, explica o ex-jogador.

Na ocasião, o Ypiranga sagrou-se campeão após a disputa dos três jogos numa emocionante disputa de pênaltis na terceira partida. “Ganhamos o primeiro jogo e perdemos o segundo. O terceiro jogo ficou empatado e vencemos na disputa de pênaltis”, conta Zé da Alaíde.

A despedida dos gramados

Em meados de 1979/1980, Zé da Alaíde jogou suas últimas partidas com a camisa do Ypiranga, único time que vestiu a camisa e tem orgulho de dizer que é a paixão de toda família.

É fato que Zé da Alaíde já estava parado do futebol de campo e voltou apenas para atender um “chamado”. “Apesar de ficar parado por um tempo, continuei inscrito no Ypiranga. Na época, teriam dois jogos contra o Bambuí e o Ypiranga tinha inscrito uma porção de jogadores que trabalhavam na Nestlé. A Nestlé não liberava os caras antes das 16h, apenas às 17h. O jogo em Bambuí estava marcado para as 16h e não daria tempo dos jogadores da Nestlé participarem. Então, o Ninico, presidente do Ypiranga à época, veio aqui em casa e me chamou pra fazer essa partida”, conclui o Ypiranguista.

Infelizmente, a despedida do fiel Ypiranguista não foi como ele desejava. “O jogo em Bambuí terminou empatado e no jogo da volta, aqui no campo do Ypiranga, perdemos de 1×0. Precisávamos ao menos do empate para ganhar o título com o critério de saldo de gols. Foi meu último jogo”.

Zé acrescenta que já não tinha a mesma forma de outrora e que a vida de músico não era compatível com a de jogador: “Eu já estava mexendo com música, profissionalmente falando. Não tinha como eu tocar no sábado e jogar no domingo, ainda mais que eu sempre gostei de tomar uma; aí não dava”.

Carreira como técnico

Muito envolvido com esportes, Zé da Alaíde já treinou times de vôlei, handebol e futebol. Em uma época em que o time do Ypiranga estava parado, Zé montou um time de garotos, de 11 a 13 anos, para disputar amistosos na região. Mesmo usando o campo do Ypiranga, o time foi batizado como Esparta.

“Esse time revelou uma galera boa. Revelou o “Tio Preto”, Sinclair, Gastão, Nilo; uma porção de menino bom de bola”, conta Zé da Alaíde.

O ex-treinador faz questão de salientar que os próprios meninos eram responsáveis pelas despesas: “Os meninos que bancavam tudo; camisa, viagem e comida. O falecido Zeca da Loja ajudou, patrocinando. Íamos para vários lugares como, Bambuí, Lagoa da Prata, etc”.

No vôlei, Zé também desenvolveu um trabalho consistente: “Quando abriu o poliesportivo, eu comecei a treinar o vôlei aqui de Arcos. Tivemos que fazer tudo ‘do começo’. Eu comecei com as meninas mais novas para a gente ir criando uma base. Posteriormente, contratamos o Jurandir, que era professor de educação física, e fomos formando bons times, ao longo do tempo, no poliesportivo”, diz.

Zé da Alaíde também foi treinador de handebol no tempo em que esteve no poliesportivo, mas sua trajetória do esporte foi mais relevante enquanto jogador. “Eu cheguei a jogar handebol também. Inclusive, fui considerado pela dona Vera um dos melhores jogadores de handebol de Arcos”, conclui o músico que sempre amou esportes.

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